EDIÇÃO ESPECIAL DO CANTINHO: CONVERSANDO COM LARA ORLOW:



EDIÇÃO ESPECIAL DO CANTINHO: 

CONVERSANDO COM LARA ORLOW!!!!!

 


Boa Noite!!!!!

Leitores do Cantinho: Ela chegou!!! Ela chegou!!!!!!

Não precisam ficar acordados até tarde, podem espalhar pelos corredores que nossa tão aguardada convidada já chegou!!!!!!

De hoje ela não escapa!!!!! Ela só irá sair do Cantinho depois de revelar o mistério dos símbolos da Saga de Orum (Confira a Resenha Aqui).

Preparem o lencinho, pois ela promete emocionar a todos com suas palavras!!!!! 

 “Sou filha do vento, da lua e do sol, Sou um ser eterno, herdeira da divindade, Venho em busca de conhecimento, e humildemente ergo meus olhos aos céus em sublime agradecimento, Sou filha do vento, filha da chuva e das trovoadas, Sou a incandescente luz da aurora boreal, Sou a magia que corta a terra nua, Sou o amor da criação, Sou a vibração perpétua dos astros, Sou uma centelha divina...” (Lara Orlow)

O Cantinho traz hoje, com muita emoção, um pouquinho mais da vida da querida escritora Lara Orlow:

Antes de ser escritora, Lara é uma sedenta leitora de literatura fantástica. E justamente nessas viagens literárias, nasceu a ideia de desenvolver uma aventura baseada na mitologia africana, matriz de nosso enredo cultural brasileiro. A autora já publicou outros dois livros: “Wlad – Os Prisioneiros do Destino”, pelo Clube de Autores, um romance cigano que acontece na época medieval, com direito a muita magia, perseguição e aventura; e, “Os Caminhos de Lumia”, pela Editora Malagueta, um romance que aborda questões de gênero e diversidade cultural. Também publicou um conto em uma antologia no Peru, “Voces para Lilith”, sem distribuição no Brasil. Aluna concluinte de Artes Visuais, pela UnB, ela vive no interior de São Paulo, junto à sua família. Sua inquietude cigana trouxe diversas mudanças, lhe propiciando desenvolver atividades profissionais desde o trabalho em campo, com plantio de reflorestamento, até a área administrativa, com palestras na área de recursos humanos. Como professora já atuou na educação inclusiva, desenvolvendo atividades extracurriculares para alunos com deficiências. Atualmente é professora alfabetizadora no ensino fundamental.

SEUS LIVROS:

A Saga de Orum- Os Guerreiros Sagrados:


Sinopse: "A Saga de Orum é um "Orum está em perigo. Os orixás iniciarão uma guerra de proporções épicas, pois a pedra sagrada do príncipe Oxaguiã está desaparecida. O rei Olorun, buscando o conselho do oráculo Ifá, descobre que somente a antiga raça de guerreiros sagrados da Terra - descendentes dos orixás - será capaz de empreender essa missão. Orunmilá, o feiticeiro, faz uma magia ancestral, e traz para Orum os escolhidos por Ifá: Rick, Verônica e Duda. Três jovens comuns, que do dia para a noite, se veem com a responsabilidade de salvar o mundo. Eles contarão com a ajuda de Lonan, o guardião, que com seu dragão alado os guiará durante toda a missão. Eles vivem muitas aventuras até desvendarem que o verdadeiro culpado está mais próximo do que poderiam supor".

 


WLAD – Os Prisioneiros do Destino:

Sinopse:
"O destino traçou seus caminhos, delineou sua trajetória rumo à liberdade. Todo um povo nas mãos de um jovem e enigmático líder. Os sonhos, as vitórias e as derrotas de um povo sofrido, em meio ao século XIV. Conheça e saga. Apaixone-se. Encante-se. Envolva-se.". 





OS CAMINHOS DE LUMIA:
 

 

 

 

Sinopse:

Clara não consegue se conter, precisa correr até a praça da República. Lá, no final de todas as tardes, uma cigana dança com abandono. De cabelos longos esvoaçantes, saia colorida girando, movimentos sensuais e vibrantes, Lumia enfeitiça a jovem gerente. Clara não sabe, mas seu destino cruza com o daquela mulher. Nas cartas e na vida, ela tem muito a descobrir com a linda cigana.





Book Trailer Oficial:







Contato com a Autora:


 


Onde Comprar: 





ENTREVISTA COM LARA ORLOW:

EXCLUSIVA DO CANTINHO!!!!

Parem tudo!!!

O Cantinho conseguiu ter acesso a informações confidenciais!!!!!!!

Em revelação bombástica, Lara entrega o destino de Lud no segundo volume da Saga de Orum, que já está pronto!!! Inacreditável esse filhote de orixá!!!

E mais: consegui arrancar dela o nome do próximo livro!!!!!

E depois de muita negociação, ela me deixou muito feliz: o meu casal preferido vai estar na continuação!!!!!


1) Lara, além de escritora, você é professora e já trabalhou com crianças deficientes. Eu admiro o seu trabalho e adoro crianças. Gostaria que contasse um pouco sobre a escolha dessa profissão e sobre os desafios para obter resultados junto àqueles que possuem alguma deficiência.

Lara: Acho que ser escritora e ser professora são duas atividades que caminham juntas, eu não conseguiria ser escritora sem a experiência com meus alunos, tampouco conseguiria ser professora sem "escrever histórias". Considero-me mais uma contadora de histórias, algumas que leio, umas que escrevo, e outras que ajudo a escrever. Assim é o trabalho com crianças com deficiência. Escrevemos juntos suas histórias. Não posso avaliar como fácil ou difícil, apenas diferente. É um trabalho que exige que se tenha um outro olhar, além daquele estigmatizado. Antes de ensinar e de saber o que um educando vai ou não aprender, a gente precisa descobrir suas potencialidades, suas habilidades e sua bagagem. Porque todo mundo tem uma bagagem, e todas são diferentes. Foi baseada nessa experiência que escrevi a personagem Duda (A Saga de Orum), na Terra ela era considerada deficiente intelectual, mas em Orum ela era alguém muito especial, a mais inteligente dos três Guerreiros Sagrados.

2) Crianças são imprevisíveis e extraordinárias, a cada dia que passa eu fico mais chocada (risos...). Você teria algum episódio engraçado ou que tenha lhe impressionado para compartilhar?

Lara: Nossa, eu teria tantos. Os alunos são extraordinários sempre. Tanto os convencionais como os especiais - aliás, detesto essas nomenclaturas, porque todo mundo é especial né? Mas há uma experiência sim que gostaria de compartilhar. Um aluno que tive há dois anos. Não vou revelar seu nome, por questões éticas. Ele estudou na APAE durante a pré-escola, no primeiro ano foi transferido para a escola regular. Ele tem deficiência intelectual. Veio para a escola já alfabetizado, mas com diversas dificuldades próprias de sua deficiência. Esse aluno adorava livros, para ler, rabiscar, cortar, olhar, brincar, etc. Percebendo essa predileção, comecei com ele um trabalho baseado na literatura. Começamos olhando, depois partimos para a leitura e dos contos clássicos fomos para a literatura fantástica... Bom, para resumir a história, o resultado desse trabalho foi ele produzir um livro, que entrou para a Biblioteca da escola e trouxe muito orgulho para seus pais. Nós trabalhamos juntos, ele fez o que qualquer escritor faz, criou personagens, elaborou o enredo e montou a história. Eu fiz como qualquer editora faria. Corrigi (com ele) o texto, ajudei para que ele desenhasse as ilustrações, imprimi e montei o livrinho (com direito a ficha catalográfica e tudo). Bom, o fato já seria lindo se parasse aqui. Isso aconteceu há dois anos. Então fui para outra escola, o tempo passou, e esse ano voltei. Reencontrei amigos, alunos e pais. Nesses reencontros, me deparei com os pais desse aluninho, que me contaram, entre risos, que depois do livro que fizemos juntos, ele nunca mais parou de escrever histórias... Ele tem textos espalhados por tudo quanto é lugar. Na capa de cadernos, no bloco de notas do celular, no computador do pai, no notebook da mãe, em papeizinhos espalhados pela casa. Hoje, uma de suas maiores distrações é escrever! Bom, estou digitando a resposta à sua pergunta, chorando um pouco menos do que chorei quando eles me contaram esse fato! Esse é o melhor e maior resultado que eu poderia esperar.

3) Para minha surpresa, você já trabalhou também com reflorestamento. Poderia contar um pouco sobre a importância dessa atividade? Em que região do país você atuou? Alguns dizem que antes de morrer, todos nós deveríamos plantar uma árvore. Você já plantou a sua? Se plantou, qual foi a sensação de olhar para uma árvore e saber que foi você que a colocou ali?

Lara: Rindo muito aqui com essa pergunta. Sim, já trabalhei mesmo. Já tive tantas profissões que às vezes acho que emendei três reencarnações em uma só. Já morei em diversos locais diferentes, e entre idas e vindas mudei de profissão algumas vezes, mas nunca parei de escrever... Trabalhei com reflorestamento, mas não de árvores nativas (aquelas protegidas) e sim com eucaliptos, árvores que são plantadas justamente para atender a demanda de madeira e celulose das empresas. Trabalhei botando a mão na massa mesmo, quase como boia-fria, foi por pouco tempo, mas foi uma experiência que me fez conhecer um mundo que eu sequer imaginava existir então. Durante um período, fiz um investimento em maquinário agrícola, e eu fazia a locação desse material. Para que houvesse uma boa manutenção eu acompanhava, pessoalmente, o serviço. Bom, tem um lado bom e um lado ruim nisso. O lado bom é que as árvores nativas continuam preservadas e ninguém pode removê-las, mantendo a espécies ameaçadas protegidas. O lado ruim é que os eucaliptos levam anos para crescer, nesse período a fauna assume o lugar como se fosse uma floresta, faz ali sua morada. Quando chega o período da derrubada esses animais ficam desamparados e desprotegidos. São tamanduás, gaviões, onças-pintadas, etc. Depois acabei vendendo minhas máquinas e voltei para a educação. Aprendi muito. Quando pegamos um caderno ou um livro na mão, não imaginamos o processo para aquilo existir. Eu aprendi. Hoje acredito que deveriam existir leis ambientais mais severas, não só com relação à flora, mas à fauna também. Isso aconteceu no interior de São Paulo.

4) É natural uma pessoa que vive a palavra e a transmite todos os dias se apaixonar por ela e virar um escritor. Mas em uma entrevista ao blog Monólogo de Julieta, descobri que você já era uma escritora desde pequena e que escreveu seu primeiro livro aos 16 anos. Poderia nos contar como você se descobriu escritora? Qual o papel que seus professores representaram nessa escolha?

Lara: Olha, isso é bem complicado de responder, porque não houve um dia em que acordei e falei "nossa, sou escritora", ou, "uau, acho que vou escrever um livro". Na verdade foi um processo. Sempre fui contadora de histórias, antes de ser alfabetizada eu as falava, depois comecei a escrever. Minhas redações escolares eram imensas. Pequenas frases que a professora pedia para escrever, eu transformava em parágrafos gigantescos. Mas esse processo nunca acabou, não estou pronta, preparada, formatada. Aprender a modelar as palavras e transmitir pensamentos é um processo longo e interminável. A cada dia escrevemos mais, aprendemos mais e nos transformamos mais. A professora que mais me ajudou nessa construção foi a Tia Felícia, ela me deu aula na terceira e na quarta séries do ensino fundamental. Eu ainda a tenho no meu facebook e compartilho com ela cada conquista nesse sentido. Afinal, sem ela, e todos os outros, eu jamais teria chegado aqui!

5) Quando decidiu investir profissionalmente na carreira de escritor, você optou por um gênero literário? 

Lara: Meu primeiro livro completo - não publicado - foi um romance vampiresco. Depois escrevi "Wlad, Os Prisioneiros do Destino" um romance espiritualista com fortes traços de literatura fantástica. Enfim escrevi "Os Caminhos de Lumia", um romance que aborda a diversidade de gêneros, mas com algumas cenas bem picantes. Acho que a literatura fantástica sempre esteve presente (exceto na "Lumia"), então nasceu a Saga de Orum, que é total e absolutamente literatura fantástica. Acho que esse gênero foi se desenvolvendo em mim. Fui ensaiando, até que que o gênero se consolidou.

6) Manias de escritor: você tem alguma na hora de escrever? Precisa estar em algum cantinho específico? Você escuta música quando escreve? As ideias aparecem mais no período da noite? O que lhe inspira?

Lara: Tenho ideias o tempo todo. Ouvindo a fofoca da vizinha, vendo meus alunos fazendo tarefas, no supermercado, no trânsito, etc. Por isso tenho sempre um bloco de papel e uma caneta à mão. Tenho sim algumas manias, não riam por favor... Eu "adoto" músicas para os personagens, cada um deles tem suas cores, comidas e roupas preferidos. Tenho um perfil para cada um deles. Quando preciso de inspiração, eu "meio" que incorporo o personagem, fazendo coisas que eles fariam, eu os imito no banho, ouço suas músicas e por aí vai.

7) Vamos falar sobre os seus livros.Eu fiquei muito feliz por ter tido a honra de ler seu livro “A Saga de Orum – Os Guerreiros Sagrados”. Sou fã de mitologia e nunca tinha lido nada sobre mitologia africana. Apresente seu livro pra quem ainda não conhece a história. O que nossos leitores irão encontrar no livro?

Lara: Vamos lá, A Saga de Orum é literatura fantástica, então os leitores vão encontrar uma grande aventura entre seres míticos e lendas africanas. Não foi nada fácil, porque esses seres são cultuados, temos muitos adeptos de religiões de matriz africana no Brasil, e eu não queria ferir seus princípios e suas crenças. Ao mesmo tempo queria um texto que pudesse ser lido inclusive por evangélicos e católicos que curtem leituras fantásticas. No final deu tudo certo. A história aborda os mitos dos orixás, mas não aborda em momento algum a religiosidade disso. Consegui escrever um texto que agrade aos dois lados. Claro que sempre há quem encontre motivos para reclamar, mas até agora isso ainda não aconteceu. Há um grande mistério, uma profecia, uma possível morte que pode devastar o universo. Três jovens menos que improváveis são os heróis dessa história. Com nenhuma experiência como guerreiros sagrados eles precisam salvar o mundo como o conhecemos.

8) Eu descobri também, na entrevista concedida ao blog Monólogo de Julieta, como surgiu essa história. Poderia contar para os nossos leitores como nasceu a Saga de Orum? Em quem você se inspirou? Porque escrever sobre esse tema?

Lara: Na verdade foram vários motivos. Eu leio muito também, e sou fã incondicional do Percy Jackson. Lendo o primeiro vlume, O Ladrão de Raios, me ocorreu que nós não tínhamos nenhum herói brasileiro vivendo aventuras pela mitologia africana, da mesma forma como Percy empreendia missões pela mitologia grega. Eu queria um texto alegre, engraçado, envolvente. Algo atual. Tanto que um dos orixás tem até celular! Além dessa carência, existe ainda uma lei que determina que os professores abordem a cultura africana em sala de aula. Então juntando esses pensamentos sugeri a mim mesma que estava na hora de fazer algo surpreendente. Assim nasceu A Saga de Orum. Um livro dinâmico, que atrai a atenção de jovens leitores e pode ajudar muito os professores a abordar a mitologia africana em sala de aula.

9) Como é um tema que me fascina, poderia falar um pouco sobre a mitologia africana?

Lara: Assunto longo esse... risos... não dá para falar em mitologia africana, sem falar de todas as mitologias. Porque todas elas se "conversam". São todas muito parecidas, como se houvesse um elo que as une. Como se todas tivessem nascido no mesmo lugar. Como se sua origem, em algum lugar muito distante de nossa história humana, fosse exatamente a mesma. Na verdade, acredito que todas as mitologias - nórdica, romana, celta, grega, escandinava, etc - nasceram sim na África, justamente porque, hoje todos sabemos, a origem do ser humano foi nesse continente. Quando o homem começou a discernir os efeitos da natureza, ele precisou divinizar aquilo que não sabia explicar. Então nasceram os deuses. Com a migração do homem primitivo para os outros continentes, essas crenças se espalharam pelo globo, modificando-se aqui e ali, mas mantendo a ideia inicial. Claro, isso é uma explicação antropológica. Mas realmente acredito nela. A mitologia africana tem uma cosmogênese que nos aproxima muito da ciência - pasmem - por exemplo: Olorun nasceu mesmo de uma explosão, um Big Bang; Xangô dividiu os continentes com seu martelo, porque no início dos tempos havia um único continente; Olokun provocou o dilúvio. Cito tudo isso no livro, exatamente como os mitos são contados. Agora, quem pode explicar como os yorubás sabiam disso tudo, sem ter tido qualquer contato com os cientistas que falam sobre o Big Bang, a deriva continental ou sobre o degelo das calotas a ponto que inundar praticamente todo o globo terrestre? Mistério!!!

10) Você precisou fazer pesquisa? Quais os veículos de pesquisa que utilizou? Visitou lugares, teve acesso a algum documento conhecido?

Lara: Fiz pesquisas na internet, conversei com mães de santo do candomblé, pesquisei trabalhos acadêmicos sobre o tema, visitei o museu da migração africana, no Parque do Ibirapuera em São Paulo, visitei o Jardim Botânico de São Paulo (a mãe da Verônica é bióloga lá, não se esqueçam), assisti documentários, etc.

10) Em entrevista ao site do jornal GGN- O Jornal de Todos os Brasis, você explicou que encontrou dificuldades para trabalhar com os mitos africanos, pois eles variam de região para região. Poderia contar um pouco sobre esse processo?

Lara: Eles são perpetuados oralmente. Então sempre acontecem modificações. Com certeza os mitos que encontramos atualmente devem ser um pouco diferentes dos mitos que chegaram no Brasil, dentro dos navios negreiros. Para citar um exemplo essas diferenças, encontrei textos onde Olokun - o senhor de todas as águas - é homem, pai de Yemanjá; em outros ele não é ele, mas ela, uma mulher, mãe de Yemanjá. Bom, tive que optar, meu personagem seria homem ou mulher? Escolhi homem. Tive que imprimir muita coisa, ler, reler, criar gráficos, escolher características, para criar um texto que não fugisse à realidade do que são os mitos africanos, e, ao mesmo tempo, fosse literatura fantástica. 

11) Acredita que a experiência com crianças tenha contribuído para a construção dos personagens? Pois, durante a leitura, a fragilidade dos nossos guerreiros, seus medos, suas necessidades e a forma como eles iam vencendo esses obstáculos durante a trama me comoveram muito.

Lara: Sim, com certeza. Cada um deles é inspirado em alguém que conheço. Então não foi difícil saber o que seria fácil ou complicado para cada um deles. Como são pessoas reais, eles tem sim sentimentos. Claro que para criar os personagens tive que criar um perfil próprio para cada um, seus medos, suas preferências, etc, como já citei acima. Eu entro no personagem quando estou escrevendo, então também coloco uma carga emocional muito forte em cada um deles. Quando acontece o último Conselho dos Orixás, no final da missão e Rick decide o que vai contar para todos os orixás, me emocionei muito, eu mesma não esperava que ele tivesse aquela atitude. No Julgamento do Lud, quando Orunmilá coloca os prós e os contras, e depois os meninos testemunham, eu também me emocionei muito. Escrevi essas duas cenas chorando.

12) A princípio será uma trilogia. Você está escrevendo a continuação. Pode adiantar alguma coisa? Você sabe que eu adorei o romance amaldiçoado do Exu Lonan com a Dalia. Teremos mais deles nesse segundo livro? Estou louca de ansiedade para saber o que irá acontecer com nossos guerreiros. 

Lara: Então, não será mais uma trilogia. A história cresceu tanto, que tive que acrescentar mais um volume à série. Por enquanto serão quatro ao todo. O segundo volume está pronto. Está na fase de ajustes, antes da revisão. Já posso adiantar o nome "O Resgate de Onilé". Vai ser muito mais agitado que o primeiro. Os meninos vão sofrer muito mais. Lonan e Dália serão retomados no segundo volume, mas o ápice acontecerá no terceiro volume, e prepare um lençol para secar as lágrimas. Tenho chorado bastante por causa desses dois. Aparecerão novos guerreiros, porque o problema será muito maior do que simples elementos químicos agindo contrários à sua natureza. Há um motivo grave para isso acontecer, e no segundo volume eles descobrirão o que seria. O Lud vai aprontar muito mais do que no primeiro volume, vou contar em caráter de exclusividade, acredita que o menino vai decidir virar astro-pop?

13) Chegou a hora mais aguardada da entrevista: Lara, como já tinha lhe prevenido (risos...), na capa do seu livro, podemos encontrar um símbolo. E no início de cada capítulo, o livro nos apresenta outros símbolos diferentes. Tudo indica que eles tenham relação com a mitologia africana. Poderia nos dizer seus significados? Onde você os encontrou? 

Lara: Tive que me preparar para essa pergunta, porque não fui eu quem os encontrou, mas o designer da editora Anadarco, o José Luiz Gonçalves. Ele foi o responsável pelo trabalho maravilhoso da capa e de cada um dos capítulos. Tive que perguntar a ele como foi esse processo e de onde ele arranjou aqueles símbolos, que também me surpreenderam quando vi seu trabalho concluído. Na verdade são caracteres normais, fontes dessas que usamos no word para escrever. Mas são baseadas na arte africana. Apesar de ser uma resposta aparentemente simplista, há uma história maior por trás dela. Ele ficou dias quebrando a cachola para criar uma capa atraente. Algo que criasse impacto além das silhuetas dos nossos heróis. Então me pediu alguma coisa que pudesse lhe inspirar, algo que tocasse lá no fundo de seu coração. Enviei a ele um solo de atabaque. Uma música bem forte, apenas percussão. E foi aí, ouvindo a música que ele começou a pesquisar fontes diferentes e então aconteceu. Ele encontrou em seus arquivos essas imagens incríveis, que sempre tinham passado despercebidas. Acha que foi por acaso? Eu não...

14) Sobre seus outros livros: A sinopse do Livro “WLAD- os Prisioneiros do Destino” é impactante. Fale um pouco sobre ele. Qual a mensagem que quis passar?
Lara: Essa é uma história medieval. Fala da diáspora cigana. Quando eles migraram do leste europeu para a Inglaterra. Claro que repleto de magias transcendentais, seres mágicos e bruxas. Tudo isso com uma terrível perseguição da Inquisição, prestes a aprisionar os ciganos a qualquer momento. Como o livro é espiritualista, a mensagem foi justamente o que o título nos trás. Todos nós estamos ligados de alguma forma. Somos prisioneiros do destino, e jamais conseguimos fugir dele, seja nessa ou em outra vida.

15) Já percebi que seus livros trazem histórias diferentes. Em “Os Caminhos de Lumia”, temos personagens do povo cigano. Fale um pouco sobre esse livro. Pode nos contar sobre a cultura cigana?

Lara: Sim, ciganos atuais, desses que ficam nas praças lendo nossas mãos. Eu falo um pouco dos seus sofrimentos, das dificuldades sociais que enfrentam, do quanto nossa sociedade não está preparada para conviver com as diferenças. E o ápice disso é quando a Lumia percebe que não está pronta para se casar com seu noivo, porque ela está irremediavelmente apaixonada por uma moça, que não é cigana. Então eu abordo várias diferenças nesse livro, várias questões para se pensar. Sobre como nós mesmos agimos diante da diversidade, seja cultural ou sexual. Apesar de ser um tórrido romance, eu o enquadraria mais como um livro social.

16) As capas dos seus livros são lindas. Em particular, a do livro “Os Caminhos de Lumia”. Foram feitas pelo mesmo capista? Você participou da criação?

Lara: Não, os livros foram publicados por editoras diferentes, e designers diferentes também. Tive muitaaaaaa sorte de encontrar verdadeiros artistas da imagem. A única coisa que contribuí para os Caminhos de Lumia - com relação à capa - foram as cartas que aparecem na capa de trás. Elas pertenceram ao meu avô, que era mágico de circo, antes da Segunda Guerra Mundial. Mas a capa do Wlad foi feita por mim, porque foi uma auto-publicação.

17) Do que você viu da vida, de todos os lugares que conheceu, das pessoas que compartilharam momentos com você, qual a mensagem que gostaria de deixar aqui, no blog do “Cantinho para Leitura”?

Lara: Cri... cri... cri... brincadeirinha! É algo forte isso, porque a gente vive tantas coisas diferentes, aprende, desaprende, cai, chora, se levanta, dá risada. São tantas vivências, tanta bagagem, que é complicado deixar apenas uma mensagem sobre isso tudo. Acho que só posso falar que cada um deve agarrar seu sonho e segui-lo sempre. Com os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Para ser feliz não basta ter felicidade, mas fertilizá-la! Quero me despedir com um super beijo para todos, muito obrigada pela oportunidade e pelo carinho de sempre. Amo vocês!

Lara, sou muito grata por nossa parceria, você é uma pessoa incrível!!! Fiquei imaginando quantas vidas você já tocou e fez diferença. Fiquei emocionada com a história desse lindo garotinho que com o seu apoio se transformou em um escritor!!! 

Você me deu uma aula de sabedoria e grandeza ao reconhecer que ainda está percorrendo o caminho e que conquista um degrau a cada dia. Como disse na resenha, eu acredito que a Saga de Orum é um livro de super-heróis e tenho certeza agora, de que você é um deles!!!!

Sou sua fã!!!!!! O Cantinho está na torcida pelo seu sucesso!!!!!


24 comentários

  1. Own... que coisa mais linda!!! Nem sei como agradecer ao seu carinho, sua atenção e sua delicadeza... Me emocionei aqui (sou mega chorona)... rsrsrs... escrevendo e secando lágrimas... Obrigada de verdade... um milhão de beijos em seu coração

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    1. Oi Lara,
      tudo bem?
      Então, somos duas, eu choro fácil!!! E desde o início, você é que tem sido atenciosa e muito carinhosa comigo. Desejo de coração que esse seu caminho brilhe cada vez mais, pois você merece.
      beijinhos.
      cila.

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  2. Oiee!

    Adorei os livros dela e vou procurar para ler.
    Muito bom vc ter postado sobre ela e uma entrevista, é sempre bom conhecer mais sobre o autor!

    Beijos,
    Storytime, storyteller

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  3. Olá, adorei a entrevista!
    Que autora simpática! As perguntas foram ótimas e as respostas também. Gostei bastante dos livros dela.
    Abraço www.likelivros.blogspot.com

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  4. Oie,
    eu não conhecia a autora nem os livros, mas gostei da entrevista :D
    ela parece ser bem simpática

    bjos

    http://blog.vanessasueroz.com.br

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  5. Não conhecia a autora e nem os livros dela, mas gostei bastante do tipo de obra que ela escreve. A entrevista ficou ótima.
    Verei para comprar algum livro dela e tirar minhas conclusões sobre a obra.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista

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  6. Ainda não conhecia a autora e nem os seus livros.
    A sua entrevista ficou muito boa.
    e os livros parecem interessantes. Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  7. Que escritora bonita!
    Não conhecia, mas gostei do estilo dela!
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  8. Oiee ^^
    Não conhecia a autora, mas lembro da capa dos livros, já devo ter visto eles em algum lugar, mas não lembro onde *-*
    Acho muito bacana quando os autores se preocupam em pesquisar bastante antes de escrever os livros...
    MilkMilks
    DM
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  9. Oi Cila!

    Gostei muito da premissa dos livros da autora, achei bem diferente e instigante. Uma leitura muito interessante e que foge do que estou acostumada. A entrevista ficou ótima e a autora é uma simpatia. Parabéns!

    Beijos

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  10. Olá!
    Adorei conhecer a escritora e não conhecia o seu livro.
    Beijinhos

    http://www.eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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  11. Ola
    A capa de 'A Saga de Orum' é muito bonita. O livro parece ser incrível e eu fiquei super interessado em ler, além disso a autora parece ser uma fofa. Gostei da história dela como professora ajudando o aluno a produzir um livro e como se descobriu escritora de fantasia xD

    Abraços!
    www.umomt.com

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  12. Caramba, que vida agitada a dela. Amulher já fez um monte de coisas kkk. Adorei a maneira como ela diz criar os personagens, praticamente sentindo, vivendo cada um deles. Achei bem diferente.
    E A saga de Orum parece ser ótimo. Nunca tinha visto nenhum livro relacionado à mitologia e/ou culturas africanas.

    Beeijo
    Que nerdisse Alice!

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  13. Oieee, adorei a postagem, amo como sempre você nos proporciona o conteúdo completo sobre os autores e suas obras, eu achei bem legal pois ainda nao conhecia esta autora, dos seus livros eu já vi o OS CAMINHOS DE LUMIA e sou apaixonado na capa desse livro, eu achei a capa maravilhosa e me chamou muito a atenção, ainda tenho vontade de ler este livro rsrs, Abraços :D

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  14. A Saga de Orum - Os Guerreiros Sagrados é o livro da autora que mais me interessa mesmo... que interessante ela ter passado por tantos gêneros até se encontrar no gênero fantástico, que é um dos meus preferidos! *-*

    Amei a história do aluno que agora não para mais de escrever! Que coisa linda! Prova de que todos podem nos surpreender, é só tratar as pessoas direito.

    E com certeza agarrar os sonhos é essencial na vida!

    Adorei a entrevista!

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  15. Olá Cila

    Eu não conhecia a autora e gostei muito de saber mais sobre ela na entrevista. Dos livros aqui apresentados me interessei por WLAD – Os Prisioneiros do Destino, principalmente porque parece que teremos uma história sobre Wlad, mais conhecido como o Conde Drácula!

    Super bjos
    http://www.i-likemovies.com/

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  16. Bom como eu nã conhecia a autora, essa entrevista foi perfeita pra me apresentar a ela.
    A Saga de Orum tem a capa linda, mas o que despertou minha vontade de ler foi Os Caminhos de Lumia.
    É bem verdade, todo professor adora escrever e estar no meio dos livros....experiência própria.

    Até mais.
    Leituras da Paty

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  17. Oi Cila!
    Tudo bem?
    Flor! Amei a entrevista! Eu adoro muito ler as entrevistas e conhecer mais nossos autores. Acho que faz uma ponte mesmo entre os leitores e os autores!
    Achei os livros dela maravilhosos e ela muito simpática e engraçada!
    Beijos
    http://overdoselite.blogspot.com.br/2014/03/resenha-doce-perseguicao-janethe-fontes.html

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  18. Oi Cila,
    Ainda não conhecia a autora. As capas dos livros são maravilhosas!
    E pelas sinopses eu leria com certeza! O mais bacana é que a autora traz algo novo, eu nunca li nada sobre mitologia africana. Num mundo de escritores que falam sempre de vampiros, lobos e anjos é bom ler algo novo! <3 Adorei a forma como ela se inspira, incorporando os personagens. Eu já tentei escrever um livro e nunca pensei em fazer isso, é um bom recurso para conhecer melhor a sua própria criação! Amei o post, Cila!

    Beijos ;*
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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  19. OMG!!!!! Cila minha linda que postagem mais encantadora e completa!!!
    Como sempre você arrasa. Eu vejo tanta dedicação e carinho que transborda em mim viu. Querida não sei se eu leria esse livro, é fantasia e esse enredo está me conquistando aos poucos... Estou completamente absorvida de conhecimento sobre a cultura e mitologia africana menina algo que sempre tive curiosidade mais a fundo desde quando eu dançava. Eu achei a autora um doce e com sede de conhecimento que chegou a derramar em mim. Eu vou colocar o livro em minha estante do skoob, porque tenho certeza que ainda vou querer conhecer essa história. Xero!!!

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  20. Oi,
    Adorei conhecer essa autora, que pelo notei é ótima com as palavras fiquei interessada no livro Wlad.
    Com toda certeza será uma das minhas leituras do ano, uma nova autora nacional que vai entrar na minha listinha.
    Beijos

    Mari - Stories And Advice

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  21. Olha só, temos uma profissão em comum: professoras. Também cheguei a trabalhar com crianças com deficiência, principalmente dislexia. Hoje, na escola pública, consigo lidar com alguns adolescentes com atraso mental ou surdez. É difícil, mas aos poucos a gente consegue!

    Beijo e parabéns pela entrevista maravilhosa!

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  22. QUE MULHER É ESSA!???? *impressionada* Gente, foi só comigo ou a Lara é alguém realmente fora de série?
    Que orgulho ter uma pessoa assim: brasileira, talentosa, altruísta e tão dedicada a cada uma das suas atividades! Eu gostei muito das respostas dela. Cila, ri junto da autora com sua pergunta sobre a árvore! (haha). Eu realmente me perdi um pouco nas informações sobre o livro, mas é porque não li A Saga Orum. Fiquei mais e mais curiosa para lê-lo. Na verdade, dos livros dela, o que mais me atraiu foi Wlad. Eu já o tenho entre os livros que desejo ler (rs), desde que li sobre ele aqui no seu Cantinho.
    Gostei muito da autora não dividir sua vida como escritora da sua vida como professora… Há poucos dias li um comentário de uma autora que me deixou um pouco triste. Eu sempre perguntei, muito curiosa, se o autor contou com alguma experiência pessoal na criação do seu livro. Essa autora tinha expressado raiva desse tipo de pergunta, porque acha que "autor pesquisa muito e poderia escrever sobre qualquer coisa, sem ter vivido aquilo". Não se trata de "viver" o que ele escreve, mas de trazer valores que aprendeu… Eu sempre acreditei que cada livro carrega um pouco do autor. Fiquei triste e até pensei em nunca mais perguntar algo assim novamente, sabe? Porque "vai saber" se o autor a quem você pergunta pensa o mesmo que essa autora?
    Então, vejo essa entrevista… Tão linda. Tão humana! E vejo que a Lara "está" nos livros dela. Eu ainda não li nada dela, mas conhecendo-a aqui… só me faz sentir o convite para conhecê-la um pouco mais por meio dos seus escritos.
    Enfim, Cila… sua entrevista me emocionou pelo nível das perguntas e pelo alto nível da autora. <3333
    Beijo carinhoso!!!

    My Queen Side

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  23. Cila eu amei sua entrevista, e suas perguntas são tão bem elaboradas, menina como você consegue, ser assim genial nas perguntas?! Passa o segredo? shauhsahsuahusa
    Bom primeiramente eu adorei, não, eu amei conhecer a autora e sua obra, são bem a minha cara, mas tudo na entrevista me cativou, principalmente ela falando sobre seu aluno especial que hoje graças a ela, é um escritor nato. Nossa ate eu choraria rios.
    E sobre os personagens dela, sobre ela as vezes encarnar eles, acho que todo escritor deveria fazer isso, ate por que eu faço sempre isso com os meus.
    Cila eu amei a entrevista, amei tudo. Parabéns garota!

    Beijokas Ana Zuky

    http://www.sanguecomamor.com.br

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